Mas lembremos que ali foi um auge de um trabalho de estruturação e, na época, de boa gestão da equipe liderada por Paulo Maracajá, para o seu tempo foi um ótimo gestor, tinha sagacidade e tinha bom suporte institucional, repito, para sua época, mesmo que depois tenha se perdido, por não ter percebido o momento adequado para iniciar um processo democrático, ainda assim, marcou seu nome nas hostes tricolores de forma perene mesmo sem ser eterno.
É preciso também lembrar que o equilíbrio institucional permitiu também a evolução patrimonial, com Fernando Schimidt na sua primeira gestão lá no fim dos anos 70 surgia o Fazendão, a sua época, um dos melhorescentros de treinamento do Brasil, um quadro de sócios que aumentava, diretores como Antonio Pithon e Raimundo Deiró. O clube crescia e isso refletia no campo de jogo, investimento e atenção em divisões de base e em jovens promissores de Clubes do interior do Estado foram formando uma equipe cada vez mais consistente, ha quem diga que o Bahia de 86, o qual o Bahia terminou na 5° colocação naquele campeonato brasileiro, já merecia o titulo nacional, era um senhor time de futebol.
O Bahia de 88 não foi por acaso, o segundo titulo foi construído durante anos, foi um auge.
O Bahia passou por vários sabores e dissabores nesses 30 anos pós 19/02/1989, o clube se viu vilipendiado, surrupiado, viu suas divisões de base, responsáveis pelo seu pujante crescimento, pular o muro para o rival, o torcedor parou de se associar, viu seu amado lar, o estádio da Fonte Nova, desabar e desaparecer com 7 dos seus irmãos e irmãs, os gestores pararam no seu auge acreditando piamente que na inércia existia movimento ascendente, se fecharam em famílias, em clãs que impediram qualquer florescimento, dentro do clube de visões diferentes de gestão.
Contudo, a torcida não se entregou e com milhares e milhares de tricolores, sejam eles anônimos ou não, conquistaram a Democracia, abriram o Clube e por uma ironia do destino estava lá, de novo Fernando Schimidt para presidir a nação, dessa vez eleito de forma direta e sem filtros pelos sócios em uma eleição advinda de uma intervenção conduzida de forma primorosa pela equipe liderada por Carlos Rátis.
Um novo Estatuto mais democrático que estabelece a voz a todas as correntes políticas do Clube permitindo assim a estabilidade institucional necessária com abertura e democracia formal e material.
Aqui vale registrar um parênteses para contextualizar que, em paralelo com a recém conquistada democracia surge a nova Arena Fonte Nova e com isso uma elitização do público no estádio, o torcedor tinha dificuldade de identificar o equipamento como a sua casa o que de certa forma causava um afastamento.
Assim, o Clube voltou a crescer, patinando um pouco ali e acolá, pois a destruição era diretamente proporcional ao tamanho do colosso Esporte Clube Bahia, mas a reestruturação recomeçou tal qual no fim da década de 70 e início da década de 80, em dezembro de 2014, o Clube realiza a primeira eleição democrática para Presidente, elegendo Marcelo Sant'ana.
Na administração de Marcelo Sant’ana, o Clube passou a ter uma gestão mais eficiente, ao realizar a recuperação patrimonial das mais complicadas para retomar a propriedade dos Centros de Treinamentos - Fazendão e Cidade Tricolor, ao formar times com mesma estrutura tática em campo, ao retornar as taças regionais para a prateleira do Clube, ao fazer novo contrato com Arena Fonte Nova, ao realizar novos patrocínios, mesmo ainda com dificuldades naturais, o Bahia voltava a ser o maior time da Bahia, a mudança de mentalidade é perceptível quando, mesmo com índices de aprovação excelentes, Sant'ana decide não concorrer a reeleição.
O crescimento continua com a chegada do atual Presidente Guilherme Bellintani e sua plataforma administrativa moderna, inovadora e criadora de novos mercados e que atende a um público que não tinha acesso , o Bahia além de se expandir, pára de pensar apenas dentro da caixinha e do óbvio, torna a Democracia muito mais abrangente, abraça o seu povo, torna-se íntimo do torcedor que, independente do credo, raça, gênero ou de qualquer diferença que possa existir, acaba querendo e podendo cada vez mais participar do Clube, sendo Sócio ou não, dobra o número de Sócios Esquadrão, os que não são associados desejam ser no futuro, ações afirmativas são realizadas, a Fonte Nova passa a ser mais identificada com o Clube que a utiliza, o contrato melhora substancialmente, apesar de ainda necessitar de melhorias, loja do clube, museu, marcaprópria é criada - Esquadrão, há o reconhecimento pelos ídolos do passado, inclusive os gigantescos campeões de 1988.
Há uma transformação cultural de todo ambiente que está em torno do Bahia, o amadurecimento da consciência, da responsabilidade fiscal, orçamentária e principalmente social, o profissionalismo chegou para fincar raízes e o país começa a enxergar o Bahia como um exemplo a ser seguido.
Mas é preciso continuar crescendo, o torcedor quer neste dia seguinte ao 19 de fevereiro de 2019, trinta anos e um dia após o título e suas comemorações que o Clube vá além das fronteiras da região metropolitanade Salvador, que reforce a interiorização e internacionalização da sua marca através das Embaixadas, quer uma divisão de base mais presente no time principal com jogadores de qualidade, quer defender e preservar a sua tão jovial Democracia, quer se reconhecer no torcedor sentado ao lado no estádio de bermuda e camiseta, quer raça, técnica, desempenho, conquistas, ampliação do patrimônio, inovação e participação constante, enfim, anseia uma nova estrela.
Para alcançar tudo isso são imprescindíveis as cobranças, estas que não deve ser confundidas com a famosa corneta, a cobrança impede a paralisia inebriante da sensação do sucesso, a acomodação.
A Diretoria Executiva precisa se cobrar, os Sócios precisam cobrar, os Torcedores já são cobradores por excelência e com isso empurrar o Clube novamente para um novo apogeu, um título nacional ou internacional,mas que quando esse título chegue o dia seguinte não repita os mesmos erros de outrora, que se tenha a gana não pelo poder, mas sim, por ver outros irmãos e irmãs tricolores conquistarem novos títulos de glória!
BORA BAHÊA MINHA PORRA!
Leandro Jesus Fernandes
Torcedor e Sócio do Esporte Clube Bahia